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Histórico da Cidade


A origem do munícipio de Ibiúna


Ibiúna nasceu às margens do Rio de Una nos tempos dos Bandeirantes, que desbravaram o Peabim (caminho dos índios) de Una inserido em um grande vale alagado também pelas águas do rio que deu origem ao nome do município. Derivado do tupi-guarani, índios que usavam deste caminho como rota de fuga da escravização, Ibiúna foi assim denominada devido a sua escuridão e condições climáticas, coberto de neblina e ofuscando a luz solar, o que deu origem a uma das interpretações do seu significado tupi, “Lugar Escuro”. 


ASSIM NASCEU UNA

Por volta de 1710 Manoel de Oliveira Carvalho, se instalou no vale de Una, nas terras de São Roque, Vila de Sorocaba, em uma sesmaria de terras que pertenciam a seu sogro Felipe Santiago, que as cultivava já há alguns anos. Com a morte de Felipe Santiago neste mesmo ano de 1710 Manoel de Oliveira Carvalho requereu para si esta mesma sesmaria, cujas terras estavam sendo questionadas pêlos vizinhos ou supostos invasores. Foi-lhe então outorgada pela Coroa Real a partir de 15 de julho de 1711 a carta de sesmaria de uma légua de terras em quadra, principiando no rio Sorócabussu do sudeste pela estrada de Sorocaba, até as águas de Francisco Duarte e Pedro Machado, com outra légua de sertão correndo pelo rio de Una, acima. Foi ainda concedida a Manoel de Oliveira Carvalho em junho de 1713 a patente de Capitão da Ordenança da Freguesia de Cotia, em virtude do falecimento do Capitão Ignácio Soares.


Esta povoação de Una era então uma fazenda tocada a braços de escravos pertencentes ao abastado capitão Manoel de Oliveira Carvalho, denominada Sítio do Paiol. O capitão fez construir uma capela sob a invocação de Nossa Senhora das Dores de Una, nas terras de São Roque. Por volta de 1750, se instalava no vale de Una, nas terras do bairro Piratuba, Cocaes e Ressaca, a família do Dr. Helvidio Rosa, vindos de Sorocaba. Formaram naqueles terras uma importante fazenda com o trabalho de escravos, sendo que na sede havia loja de armarinhos, leiteria, selaria, venda e pernoites, tornando o local um ponto de parada destinado a tropeiros e viajantes. A prova desse assentamento é a de um crucifixo histórico, que consta pertencer aos antepassados de Helvidio Rosa e que foi encontrado em uma escavação de terras na feitura de um açude. Mais tarde estas terras já sob a denominação de Fazenda Velha dos Rosas, foi adquirida por João Cafezal Domingues e Benedito Domingues. Com a morte do capitão Manoel de Oliveira Carvalho, provavelmente em 1780, as terras e fazenda de propriedade do capitão passaram a pertencer por herança a seu filho Manoel de Oliveira Costa, que mandou erigir uma capela mais ampla, no mesmo local da capela primitiva, sob a mesma invocação de Nossa Senhora das Dores de Una, para os usos religiosos de sua família, escravos e agregados. Nas imediações da capela foram sendo construídas as primeiras casas de barrote e taipa. Em pouco tempo o local tornou-se parada obrigatória dos viajantes, mascates e os tropeiros que ascendiam seus fogos em redor do templo. A impressão que se tinha era a de um presépio permanente. E essa impressão viria-dar à Vila de Una o cognome de “A Cidade Presépio”. Mais tarde estas terras e fazenda passaram a posse do Capitão Salvador Leonardo Rolim de Oliveira, por ato de compra e venda, já denominada Fazenda Velha de Una.

Seus irmãos Bernardo Antunes Rolim de Oliveira e João Rolim de Oliveira, todos vindos de Sorocaba, também adquiriram glebas que iam da serra de São Francisco em sentido oposto, rumo a Sorocaba. O capitão Salvador Leonardo Rolim de Oliveira ficou com a gleba já no atual centro do vilarejo de Una. Animado pelo bom espírito religioso do povo (escravos, agregados, viajantes e tropeiros), que careciam de apoio espiritual, requereu o Alvará Régio expedido em 29 de agosto de 1811 por Dom Matheus de Abreu Pereira por ordem do Príncipe Regente Dom Pedro I, que elevou o vale de Una à condição de Freguesia e Paróquia do Povoado, sob a égide de Nossa Senhora das Dores de Una. Q território foi formado com partes desanexadas das freguesias confinantes de Sorocaba, Cotia e Parnaíba nas terras de São Roque. A extensão territorial de Una ficou estimada em 1.093 km2. Em 11 de fevereiro de 1811 nascia no vilarejo de Una o seu primeiro filho ilustre - Jesuíno José Soares, que mais tarde passou a assinar Jesuíno José Soares de Arruda. Era filho do casal de portugueses Francisco António dos Santos e Brandina Soares, radicados em Una desde 1790 e que possuíam uma loja de armarinhos no bairro do Curral. Jesuíno era tropeiro de profissão e viria fundar em 1857 o próspero município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. O bairro do Curral recebeu essa denominação por ser naqueles tempos um local muito apropriado para o descanso e pernoites de tropas e sua proximidade com a Vila de Una. Esse bairro serviu de parada e pouso para as tropas de Duque de Caxias, quando por aqui passava em suas sucessivas missões para sufocar rebeliões ou promover pacificação em Sorocaba e outras partes do Estado. Consta inclusive a passagem por Una, quando Caxias se dirigiu a Sorocaba para prender o Padre Diogo António Feijó. Por volta de 1850 o capitão António Vieira Branco, português de nascimento e brasileiro de coração, se instalou nas terras de Pirapora, depois denominada Colégio de Pirapora e mais tarde simplesmente Bairro do Colégio e nas terras do bairro Areia Vermelha, respectivamente. As terras foram doadas ao capitão António Vieira Branco, pelo imperador por ato de bravura e relevantes serviços prestados à coroa imperial.

Formou uma importante fazenda com trabalho escravo, instalou uma serraria e uma máquina de benefício de algodão inaugurada em 1857. Na fazenda eram fabricados vários tipos de ferramentas, tais como foice, machados, enxadas, martelos, serrotes, pregos e parafusos, além de ferramentas de uso agrícola. As terras do capitão Vieira Branco, veterinário, chegou a ser fazenda modelo no Brasil Império.

A Era Indígena

Tinha-se conhecimento que as terras do vale escuro de Una, no período de 1618, era habitada temporariamente por índios tupi-guarani, que deram origem ao nome primitivo de Una. O vale escuro era mais um caminho de fuga e um esconderijo para protegê-los de caçadores de índios para escravizá-los. Os índios usaram pouco essas terras para as suas paupérrimas plantações de milho e fumo e pouco se reproduziram nessa região. Mas abriram o primeiro caminho e deram os primeiros passos em direção ao Vale.

A Imigração Portuguesa

Em fins do século XVI e início do século XVII, foram chegando ao Vale de Una os primeiros imigrantes de origem portuguesa. Vieram atraídos pela abundância de madeira de lei e na esperança de encontrarem minérios e pedras preciosas. Fizeram-se representar nas pessoas de Felipe Santiago, Francisco Duarte, Pedro Machado, Ignácio Soares, Manoel de Oliveira Carvalho, Manoel de Oliveira Costa, Francisco António dos Santos, Helvidio Rosa, Salvador Leonardo Rolim de Oliveira, António Vieira Branco, João Cafezal Domingues, Benedito Domingues, Manoel Homem de Góes, Fortunato de Góes Pinto, António Coelho Ramalho, João Pereira, entre outros. Através desses primeiros habitantes efetivos, os portugueses e seus descendentes continuaram a se estabelecer nas terras de Una e posteriormente Ibiúna. De início as atividades se traduziam na extração da madeira de lei, a lenha, o carvão vegetal e o aproveitamento do pó de serra. Dedicavam-se também na extração do palmito, o mel de abelhas, além das culturas de fumo, milho e feijão. Investiam na criação de animais que forneciam o leite e seus derivados, a carne, a banha, ovos e os chamados animais de tração usados na prestação de serviços. Foram os portugueses os fundadores de Una e sua descendência participou de todas as atividades desenvolvidas no município, desde a economia informal, a prestação de serviços, as funções e atividades liberais, a agricultura, indústria e o comércio. A participação na política municipal aparece com grande performance.

A Introdução do Negro Africano na Vila de Una

Através dos portugueses, foram introduzidos na Vila de Una os negros africanos, na condição de escravos. Os negros africanos e seus descendentes, muitos nascidos na própria vila, marcaram a passagem dessa imigração provocada e involuntária, através do trabalho forçado, mas que muito contribuíram para que Una continuasse a lenta caminhada em busca do progresso e o bem-estar do povo. Entretanto, terminada a época da escravidão no Brasil, pela lei áurea de 13 de maio de 1888, assinada pela Princesa Izabel, os negros africanos e seus descendentes não permaneceram na sua totalidade na Vila de Una, sendo considerada pequena na comunidade a presença dos descendentes negros. Entretanto é considerável a presença em Ibiúna dos mestiços.

A Imigração Italiana

Nos anos de 1890 e 1891 a Vila de Una recebia em suas terras os primeiros imigrantes italianos. Mais tarde descendentes de italianos também se fixavam em Una. Eles se fizeram representar pelas famílias Falei, Melanias, Nani, Pécci, Bastos, Bini, Coscarelli, Sandroni, Andreolii, Marcondes, Dal Fabro, Romano, Ferracini, Giancolli, Folena, Calvo, Casaburi, Cavalieri, Latarullo, Parente, Fanti, Marcicano, Duganieri, Albertim, Rabelo, Belo e outras posteriormente. Um marco do início dessa imigração na Vila de Una está gravado na fachada de uma casa comercial no início da rua 15 de Novembro com os seguintes dizeres: "Casa Falci - Fundada em 1892". Os imigrantes italianos e seus descendentes participaram de início e participaram de todas as atividades econômicas que vão desde a agricultura, indústria e comércio, até as atividades informais e de prestação de serviços e o desempenho nas profissões liberais. A participação na política municipal tem sido das mais expressivas, tendo entre seus descendentes alguns ocupando os mais altos cargos políticos do município.

A Imigração Árabe

A imigração de árabes e seus descendentes chegou à Vila de Una em 1898. Esses imigrantes e seus descendentes que aqui se estabeleceram foram os membros das famílias Assef, Habibe, Hadade, Riskalah, Musa, Gebara, Elias, Rahal, Issa, Chedid, Juni, Jorge, Sales, Marum, Salite, Hanzi. A imigração árabe contribuiu mutio para o progresso urbano, através das atividades comerciais. A contribuição na agricultura e na indústria se fez mais através de investimentos que se estenderam ao longo dos anos a outros setores de atividades. Entretanto, participam dos mais variados setores de serviços, profissões liberais, bem como da economia informal existente no município. Entre seus descendentes a participação na política marca uma época nos destinos do município, quanto ao progresso e bem-estar da comunidade.

A Imigração Japonesa

A imigração japonesa teve início em 1932, com a chegada em Una dos primeiros imigrantes Euriko Iwakawa e depois Shigemori Maeda. A imigração nipônica se tornou mais efetiva nos anos que se seguiram com o assentamento das famílias Samano, Arizono, Muramatsu, Kikonaga, Kawakami, Kaneko, Ideriha, Nakayama, Nakamura, Nakajima, Watanabe, Takafuji, Matsuda, Saito, Saitow, Miyaji, Setoguti, Morita, Miazaky, Murioka, Yoshito, Mikami, Teramae, Sokoda, Sugahara, Suetsugo, Furuya, Ogno, Yasuhara, Kitadani e tantas outras que juntas formaram a maior colônia de imigrantes instalada no município.
Esses imigrantes trouxeram em suas bagagens novas técnicas de plantio e variedades de cultivos que aplicados nas áreas de produção foram diversificando e multiplicando-se a ponto de tornar Ibiúna o maior celeiro de produção de hortifrutigranjeiros do Estado de São Paulo e do Brasil. A primeira atividade desenvolvida foi a agricultura e após o término da 2ª Guerra Mundial é que iniciaram a participação em outras atividades. A indústria, o comércio, a prestação de serviços e funções liberais e informais que ocupam considerável número de japoneses, nisseis e sansseis. A participação na política municipal iniciou-se de forma tímida e cautelosa e é exercida em forma de apoios. Mas entre seus descendentes, alguns já ocuparam e ocupam cargos políticos no município. 


A Imigração Chinesa

Os imigrantes chineses tentaram formar sua colônia em Ibiúna na década de 1960. Entretanto não tiveram a mesma performance dos imigrantes de outras nacionalidades aqui estabelecidos ou assentados nas áreas de produção agropecuária. Atuaram pouco na agricultura, tentaram a industrialização e o comércio, mas não se aclimataram. Foi portanto uma imigração meteórica dentro de um ciclo rápido e a colônia acabou desaparecendo. Não hou participação na política municipal. O grande tributo dessa nacionalidade a Ibiúna ficou por conta dos padres chineses, Dr. Lourenço Chang (Lourenção) e Dr. Lourenço Chen (Lourencinho), doutores em teologia. Eles realizaram uma notável obra evangélica e cristã, além de uma destacada atuação social e cultural de grande significado religioso e histórico. Ibiúna muito deve a esses abnegados sacerdotes Lourencinho e Lourenção, como eram tratados carinhosamente pela comunidade religiosa de Ibiúna.


(FONTE: Adaptado de "Y Una Noiva Azul: História do Município de Ibiúna. José Gomes (Linense)." 1981)
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